Oct 11

Coisas de que (definitivamente) não gosto na Alemanha

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Para relaxar um pouco, eis uma pequena lista de pequenos incômodos da vida na Alemanha:

1. Por que razão os travesseiros têm sempre que ser irrtantemente moles e finos?

2. Refrigerante em restaurante é um copo de amostra grátis

3. Por que tanta gente dispensa cortinas nos apartamentos?

4. Sabão em pó tinha que ser tão caro?

5. Por que os números de um lado da rua aumentam e do outro diminuem?

6 Por que existem verbos separáveis?

7. Por que é tão difícil achar um shopping-center?

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Aug 22

Fantasy Filmfest - Berlim

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O Fantasy Fimfest de Berlim termina na próxima quarta-feira, dia 25, e só me arrependo de não ter podido assistir a mais filmes. O evento superou minhas expectativas, e é algo emocionante ver um público enorme fazendo fila para ver esse tipo de filmes - que no Brasil teriam uma audiência de apenas uns 40 nerds hard-core. O Festival, com o divertido slogan “Fear Good Movies”, ocupou dois cinemas luxuosíssimos daqui de Belim: o Cinemax e o impressionante Cinestar Sony Center. Ambos localizados em Potsdamer Platz e ambos extremamente confortáveis e modernos. Mas é preciso que se tire alguns pontos pela organização do evento e pela (falta de) educação do público alemão, que não sabe respeitar filas. Mesmo chegando com meia-hora de antecedência, e em salas enormes, a confusão que se armava do lado de fora do cinema (e o grande público) dificultaram encontrar bons lugares. Fora isso não tenho outras queixas, e afirmo sem hesitação que foi um dos melhores e mais bacanas fesitvais de cinema de que já participei. Seria algo como o Fantaspoa, só que ampliado umas dez vezes e com infra-estrutura de última geração. E os filmes? Espetaculares! Tive várias gratas surpresas neste festival, inclusive a oportunidade de ouvir o diretor do excelente “Monsters”, que conversou com o público após a exibição de seu filme (na verdade, foi a estréia mundial da obra). Acho que foram quase 100 filmes ao todo, dos quais eu consegui assistir apenas um punhado. Seguem os comentários sobre o que vi.

Solomon Kane - Pouco a dizer. Muita expectativa e pouco resultado. Linear, recheado de clichês e visualmente pouco inventivo. Foi entertaining, mas numa escala de 0 a 10, mesmo para apreciadores do gênero, valeria no máximo 7,5.

Monsters - Trabalho interessantíssimo do novato Gareth Edwards. Baixíssimo budget, mas cenografia excelente, atuações convincentes, boa concepção visual e sonoplastia espetacular. Na linha de District 9, Monsters encena competentemente a alegoria da exclusão e da marginalidade (econômica, racial etc.) através das figuras monstruosas e alienígenas. Apesar de seus temas e cenários sombrios, Monsters acaba sendo um filme bonito, ainda que em alguns momentos descambe para clichês tradicionais e um romantismo barato. Como espectador, tenho que destacar a cena final, que me deu uma sensação de envolvimento cinematográfico como há muito tempo não sentia. Um bônus foi a presença do diretor, que deu uma entrevista divertida e inteligente, descrevendo o processo de produção e filmagem. O uso de poucos atores profissionais (apenas os dois protagonistas, na verdade) empresta ao filme, surpreendentemente, um caráter extremamente realista. Os monstros são convincentes e conseguem combinam com perfeição sensações de temor e deslumbramento. Um filme a que eu assistiria novamente.

The Wild Hunt - O Canadá chegou nesse festival com várias surpresas interessantes. The Wild Hunt, com sua mescla (bem sucedida) de comédia, drama e horror me impressionou profundamente. Um grande filme, com enredo originalíssimo e ótima cinematografia. A combinação da extrema violência de alguns momentos com o tom cômico de outros me deixou profundamente perturbado. Pode-se dizer tudo de Wild Hunt, mas não se pode negar que é um filme diferente e instigante.

Get Shorty - A compilação de curtas foi uma das melhores coisas do festival. Todos, com altos e baixos, são muito bacanas, e me arrependi de não ter comprado o DVD no início da sessão (pois depois o stand de vendas desapareceu). The Horribly Slow Murderer with the Extremely Inefficient Weapon eu já tinha visto no YouTube e me escangalhado de rir. Contudo, foi a primeira vez que vi o divertido He Dies at the End e o curioso Oma Rennt. Vale destacar a pequena pérola australiana I Love Sarah Jane, sobre o menininho que, num território devastado por zumbis, tem uma paixonite pela bela Sarah Jane. Genial! O japonês Shinda Gaijin também é uma preciosidade da ironia e do humor negro. Esses japoneses sabem pirar mesmo. De onde mais poderia vir essa história de uma japonesinha que todas as noites encontra o mesmo cadáver pelado no seu banheiro e todas as noites tem que dar cabo dele de maneiras diferentes? Isso até que um dia ele já não está mais lá…E ela percebe como irá sentir falta de ter de se desembaraçar de seu incômodo defunto! Mas o mais impressionante (e belo) curta da mostra é, sem dúvida, o polonês The Kinematograph, uma animação que levou o público a aplaudir de pé…

Suck - Não poderia ter feito melhor escolha para fechar minha experiência no festival (ou será que consigo ver ainda mais algum?). Esse inteligentíssimo filme canadense sobre uma banda de rock em que os membros vão sendo transformados em vampiros me fez rir do começo ao fim. Fazia tempo que não assistia uma sátira tão esperta e divertida do vapirismo. E como bônus a trilha sonora e as aparições de Malcom MacDowell, Iggy Pop e Alice Cooper, além da beleza estonteante de Jessica Paré. Uma vampira para a qual muito marmanjo adoraria esticar o pescoço.

Infelizmente, perdi o filme de Gaspar Noé, Into the Void, mas por boas razões. Outros filmes que provavelmente valeria a pena ter assistido são Tetsuo, the Bullet Man, Exquisite Corpse, We are what we are, Tony, The Killer Inside Me (último do Michael Winterbottom), Hidden e Four Lions. Vamos ver se ainda consigo pegar algum.

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Aug 16

O Inferno é um Clube de Veraneio para Spammers

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Pensei em fazer uma classificação ou tipologia da imbecilidade, e achei que um bom lugar para começar seria com os imecis que repassam spams. Se existe um inferno da idiotia, esses merecem um lugarzinho especial lá. Falo de gente que repassa toda espécie de email idiota, como, por exemplo, “o que acontece com seu corpo quando você bebe refrigerante”. Essa espécie de spammer deveria ser condenado às fossas do Maleboge, mas apenas depois de ficar uns 500 anos pendurado de cabeça para baixo no bosque dos suicidas (as referências vêm, naturalmente, do plano do inferno dantesco). Afinal, trata-se de uma imbecilidade composta, articulada em duas partes: primeiro, o cara é cretino por usar seu tempo “livre” para entulhar as caixas de email dos outros; segundo, é um energúmeno por não possuir o mínimo de senso crítico capaz de lhe permitir avaliar a veracidade de uma informação. Ora, quem em seu perfeito juízo seria capaz de dar crédito a um email afirmando que a diferença entre a margarina e o plástico seria de apenas uma molécula? Mas eles existem, sim. Estão por aí, os infelizes! Tem uma que vive me enviando essas besteiras, mas eu já programei o gmail para direcionar suas asneiras diretamente para a lata de lixo. Existem dois tipos desses spams imbecis que me irritam particularmente: o primeiro é aquele subscrito por algum “especialista” com conselhos sobre saúde. Por exemplo, um tal Dr. Icaro, da Uniceub que curou uma mulher de enxaqueca recomendando que bebesse mais água. E ainda tem um *** que se dispõe a perder tempo preprando um Powerpoint terrivelmente brega para apresentar os incríveis benefícios da ingestão da água. Ok, I don’t give a flying fuck sobre os problemas gerados pelo leite ou as benesses de saber respirar bem (ainda que tudo isso fosse verdade, o que na maioria dos casos não é). Mas esses spams ainda me irritam menos que o outro tipo, os Powerpoints que vem sempre acompanhados da palavra “lindo!” (com exclamação, claro). Essa semana recebi um com três pontos de exclamação: “os canais de Amsterdam -com som. Lindo!!!” (man, you can’t get more gay than that!!!!!!!!). É, eu já vi os canais de Amsterdam e eles são bonitos mesmo, mas não preciso de um PP mal feito para me dizer isso. O sujeito que além de reenviar spam ainda prepara PPs bregas merecaria ainda outro estágio no inferno, sendo esfolado vivo três vezes ao dia. Hoje eu recebi um que falava sobre a beleza de acordar (acordar: veja como é lindo). Começa sempre com uma musiquinha trash, um sonzinho de pianola eletrônica, e depois vem uma sucessão de fotos com crianças bochechudas, paisagens bucólicas e letinhas que atravessam a tela. Sim, os caras que repassam essas mensagens me fazem duvidar seriamente do futuro da espécie humana. Talvez seja hora de criar um PP intulado: “as mensagens de email mais imbecis e os idiotas que acreditam nelas - lindo!!!” Por essas e outras, sempre repito: “morte aos spammers e tortura chinesa (seguida por morte) para os criadores de PPs”.

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Aug 3

Central Kino

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image1243660152.jpgTirei esta aqui dentro do Central Kino, próximo a Hackesher Markt, na Rosenthalter St. 39. Bem escondido, bem alternativo, belamente sucateado, o Central Kino faz a alegria dos amantes do cinema. O filme a que assisti, Mr. Nobody (Jaco van Dommael, 2009), também é maravilhoso. Nada melhor para fazer em Berlim num dia chuvoso. Ainda mais se acompanhado de uma Currywurst!

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Apr 12

O Dia em que Critiquei Andrew Keen no Twitter…

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Semana passada, na falta de algo melhor para fazer, decidi escrever (em inglês) algumas observações sobre gente que sigo no Twitter.  Comecei explicando que me interessa acompanhar o que acontece nos extremos do espectro do pensamento sobre as novas mídias, daí a razão de acompanhar Pierre Lévy e Andrew Keen.  Como manda a netiqueta, fiz algumas críticas à superficialidade das abordagens de Keen, mas sem colocar a “@” na frente de seu nome (a frase era apenas uma impressão de leitura e sem qualquer intenção de provocar polêmica com o autor do livro).  Contudo, qual não foi minha surpresa ao receber uma resposta do conhecido detrator da cibercultura, que provavelmente acompanha qualquer referência a seu nome nos domínios do Twitter.  No fim das contas, gostei da atitude do Keen.  Mostrou-se democrático e com espírito esportivo, o que mitiga bastante a má impressão que tive ao ler sua obra.  É um sujeito inteligente e de grande verve.  Se fosse brasileiro, diria que é um representante da nossa antiga (mas ainda muito viva) tradição polemista.  Mas por que diachos ele tem que ser tão moralista?

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Mar 17

Como Escrever Títulos Bombásticos para Obras sobre Cibercultura

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[da série "como fazer sucesso através da picaretagem elegante"]

- Nenhum bom livro sobre as novas mídias é completo sem o uso do termo “revolução” e seus derivados.  Acompanhado do indefectível “como”, ele é absolutamente fundamental para o sucesso de um manual da cibercultura.  É algo como a referência aos tempos de outrora para os enredos das escolas de samba.  Hoje, quem não revoluciona se estrumbica!  E afinal, existe revolução para todos os gostos.  Até mesmo para os capitalistas mais ferrenhos, que agora podem serem “revolucionários”, não, evidentemente, da ordem social, mas pelo menos de algum modelo de negócios.  Diga-se a verdade: atualmente, poucos fenômenos culturais são mais interessantes e curiosos que a literatura de “auto-ajuda” empresarial.  Em que outro momento da história da humanidade serial possível pensar um livro como “Jesus, o maior gerente de todos os tempos” ou coisas do tipo “o monge e o empresário”?  Entoar mantras ao mesmo tempo que se aplica uma graninha na bolsa de valores é, isso sim, o crime perfeito, combinando satisfação espiritual e material sem nenhum constrangimento.  Títulos como esse me fazem imaginar o autor como o indivíduo idealmente adequado à aplicação daquele princípio expresso em adesivos de automóveis nos EUA: “Jesus loves you, everybody else thinks you’re an asshole!”. Mas voltando ao revolucionário: se você não conseguir pensar em nada realmente significativo para revolucionar, pode ao menos inventar uma palavra nova e sonora, como, por exemplo, “Wikinomics” (what the f.??).  Aliás, “nomics” é uma terminação do tipo “pau para toda obra”.  A gente nunca se cansa dela.  Por que não um “Twitternomics”?  Ou então um “Orkutnomiks”?

- Não basta bagunçar o coreto.  É preciso mudar “tudo”, tudinho mesmo.  As novas mídias têm que ser vistas como um fenômeno tão extremo que seja capaz de levar as pessoas a atitudes verdadeiramente radicais, como a Britney Spear passar a usar calcinhas ou o Lula começar a emitir frases lógica e gramaticalmente coerentes.  Também é bom que essa revolução seja caracterizada como um “segredo”.  Sim, aí temos outra palavra sempre eficiente, já que todo mundo curte um bom segredo.  “Como ficar rico escrevendo Blogs: os Segredos dos Blogueiros Famosos”.  Não há como negar que tais segredos efetivamente existam.  O sujeito que escreveu o livro anteriormente citado ficou rico.  Talvez vocês se lembrem daquele livro (depois transformado em filme) cujo título era simplesmente “O Segredo” e que estourou por aqui faz poucos anos.  Absolutamente genial!  Econômico, elegante e ao mesmo tempo bombástico!  O segredo de “O Segredo” era convencer todo mundo de que ali existia mesmo um tremendo e importante segredo.

- Analisemos esse outro título: “Get Rich Quick with Social Media Marketing”.  De fato, “Social Media” é outra dessas expressões “catchy” que estão na moda.  O sonho de muitos usuários das novas mídias (inclusive deste que vos escreve) é começar adquirindo capital simbólico, para em seguida conquistar capital de verdade mesmo através da popularidade de seus domínios no mundo virtual.  E eu sei que vou ficar rico algum dia, basta continuar escrevendo textos como este e recheá-los de termos como “viral”, “meme”, “convergência”, “transmídia” e assemelhados.  O que é bacana é que o leitor nem precisa entender essas palavras (aliás, é até melhor que não entenda), basta achar que elas soam bem.  Eu, por exemplo, adoro a sonoridade de “meme”.  Sempre faço, inclusive, uma estranha associação mental de “meme” com o rosto de um bebê bem rechonchudo (não sei por quê).

- E o que dizer desses títulos também econômicos, mas tão cheios de poder sugestivo como “A Cauda Longa”?  Não há como não adorar isso, em meio às múltiplas associações mentais que podem nascer dessa feliz expressão.  Ops, acabo de achar no Google a frase “Como a Cauda Longa está Mudando Tudo”!  Em outro site, encontro o seguinte questionamento: “Será a cauda longa um mito?”.  Não, meus amigos, a cauda longa é muito real, e já a vi, ao vivo, com esses olhos que a terra há de comer. Entretanto, devemos assinalar que essas são exceções.  O caminho mais fácil é direto para um bom título de obra de divulgação é pensar em algo extenso e misterioso ao mesmo tempo.  Muitas palavras com o poder de dizer muito pouco.  Nesse sentido, bons exemplos talvez sejam as obras de Andrew Lih, “The Wikipedia Revolution: How a Bunch of Nobodies Created the World’s Greatest Encyclopedia” (a boa e velha “revolução”!) e Clay Shirky, “Here Comes Everybody: the Power of Organizing without Organizations”.  Se foram “Joões-Ninguém” que inventaram a Wikipedia e se realmente é possível organizar-se sem organizações, então por que você também não pode faturar uma boa grana escrevendo um novo manual sobre a revolução das novas mídias?  Eu ainda acredito em Papai Noel.  E você?

p.s: se você curtiu este texto, dê uma olhada na discussão mais séria (e acadêmica?) do assunto em meu outro blog.

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Mar 11

Ah, as delícias da vida na academia…

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Esta semana, vivenciei uma experiência bastante desagradável, cuja natureza me levou à decisão de comentá-la neste blog. Um doutorando de uma instituição localizada em outro estado convidou-me para integrar sua banca de examinadores (não, a elegância não me permite revelar o nome dessa instituição). Apesar de a data não ser das mais favoráveis, aceitei com gosto o convite. Já conhecia o doutorando – pessoa de grande seriedade, talento e densidade intelectual –, bem como seu orientador, um dos maiores pesquisadores da comunicação no pais, segundo minha opinião. Na maioria dos programas de pós-graduação, as bancas de mestrado e doutorado são escolhidas pelo candidato e seu orientador, em comum acordo. Contudo, entre as diversas peculiaridades dessa instituição específica está o fato de que ali nem orientando nem orientador tem livre escolha sobre os integrantes da banca. O candidato tem que preparar uma lista de possíveis participantes em ordem de prioridade e apresentá-la ao colegiado do programa, que possui o privilégio divino de vetar nomes ou alterar ordens de preferência. Pois bem, depois de várias negociações em relação à data e composição da banca, recebo um constrangido email do candidato informando-me que o colegiado havia, por razões inexplicáveis, saltado meu nome e homologado como integrantes da banca as opções secundárias de sua lista – pesquisadores da maior competência, sem dúvida, e um deles inclusive grande amigo meu. Entretanto, sem qualquer justificativa para a atitude, o direito de escolha do candidato e do orientador fora menosprezado, criando uma situação desagradável para o futuro doutor e uma indisposição desnecessária com o antigo doutor “desconvidado” em relação à instituição. Neste momento, não vale a pena investigar qual das patologias características do nosso sistema acadêmico tal atitude nos revela. Mais apropriado é simplesmente apontá-lo como um dos muitos sintomas localizados que exprimem, porém, um quadro de problemas mais amplo. Nessas horas é que me pergunto por que, afinal de contas, decidi retornar ao Brasil…

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Dec 29

NY - D2

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image1982879150.jpgApós o fracasso da mostra sobre Tim Burton no MOMA (estava sold out), fiquei passeando na 5th Avenue e na Times Square. Depois, seguindo indicações do concierge do hotel (bad idea), fui ver a estátua da Liberdade. Atravessei a Brooklin Bridge a pé, mas não achei o ferry para a estátua. O frio estava insuportável, comecei a passar mal (e já peguei mais frio em Chicago, mas nunca me senti como hoje). Queria ir a Williansburg a pé, mas vi que seria andar muito e estava passando em partes suspeitíssimas do Brooklyn. Acabei num ônibus, totalmente perdido, saltei numa estação do subway e voltei. Fiquei andando então por little Italy e comi um canoli pela primeira vez. Bom, mas muito doce. Daí fui andando pelo Soho e parei numa loja de uma empresa japonesa que está fazendo o maior sucesso aqui: Muji. Cena típica dos tempos hipermodernos: loja japonesa em nova Iorque tocando chorinho. Comprei um pulôver e voltei para o hotel. Cansei. Volto daqui a pouco de trem para Philli. Hoje eu realmente virei um picolé.

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Dec 29

NY - D1

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Hoje comecei o dia chegando em NY na Penn Station e caminhando até a Strand (828 Broadway). A Strand é uma das maiores livrarias/sebos de Nova Iorque. Como diria a Mirian, é o paraíso dos intelectuais sebentos. São pilhas e pilhas de livros em três andares enormes. Ao lado, fica a Forbidden Planet, maravilhosa loja de comic books. Em seguida, comi uma pizza e fiquei andando pelo east village, passei no hotel, deixei os livros e voltei ao Village para jantar. Dei uma passada na Kim’s video (esta, o paraíso dos amantes de cinema) e comi comida ulcraniana mo famoso Veselka. Finalmente, segui para Williansburg (no Brooklyn), bairro com perfil parecido ao de Santa Teresa. Lá se encontra a Beacon’s closet, o maior brechó de roupas de NY (88 N 11th street). Além do Beacon’s, agora existe também o Peachfrog (136 N 10th street), roupas importadas da Europa, mas vendidas como ponta de estoque. Acima, mais uma foto do Pod Hotel.

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Dec 29

Pod hotel

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Em minha breve aventura de passar dois dias e uma noite em Nova Iorque (vindo de trem de Philadelphia), peguei um quartinho no Pod hotel, um dos mais baratos e bem localizados aqui (upper east side de Manhattan). O quarto é minúsculo, o banheiro é do lado de fora e coletivo, mas mesmo assim a diária saiu a U$ 100,00 - para se ter uma idéia de como NY é cara! Acima, uma fotinho do quarto. O Pod fica na east 51st street, número 230. Ele é metido a moderninho e tem tudo a ver com quem curte iPods.

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